A Sociedade dos Poetas Safados – Conto I – Parte 1

UM ENCONTRO PERFEITO

Sempre na última semana de cada mês, eu e os meus amigos nos reunimos em algum lugar para falarmos das nossas experiências e aventuras sexuais – sejam elas verdadeiras ou não. E, claro, para declamar o nosso poema de cunho totalmente imoral e sem pudor.
São nessas reuniões, que geralmente acontecem aos sábados, em que nós temos a oportunidade de expormos os nossos poemas mais secretos; aqueles que não temos coragem de falar com as outras pessoas e nem temos coragem para postar na internet.
Então, neste mês de agosto, a reunião será conduzida por mim, Ismael Kurtzariel, criador e presidente desta distinta sociedade. E o belíssimo evento de hoje está sendo realizado aqui, na minha mansão localizada na área nobre do Morumbi, São Paulo.
— Boa noite, senhores — eu disse, assim que todos se sentaram nos sofás e poltronas da minha espaçosa e agradável sala de estar. — Primeiramente, gostaria de agradecer a presença de todos vocês. Em especial, a do nosso membro mais novo, Yuri Hadeki.
Alguns aplaudiram e outros levantaram as suas taças de champanhe ou de vinho para brindar a esse momento.
— Eu que agradeço por terem me aceitado neste seleto grupo de poetas e escritores — disse ele, inclinando a cabeça levemente para baixo.
Sorrindo, acenei para que o silêncio voltasse a reinar e assim foi feito de imediato.
— Bem, como sempre, quem está conduzindo a reunião deve ser o primeiro a relatar a sua experiência e assim o farei. Entretanto, gostaria de chamar a atenção de todos vocês para o fato de que novas experiências ainda podem acontecer, mesmo para as pessoas que já se acham experientes, como é o meu caso — levei a taça à minha boca e beberiquei um pouco de champanhe gelado. — Não sou mais nenhum garotão, como vocês podem ver, e tampouco sinto falta dessa época. Mas algo me surpreendeu no meu último encontro sexual. Encontro este, vale salientar, que não fora planejado por mim. E é isso que eu vou relatar aqui, agora.

Eu estava tendo um péssimo dia.
A minha empresa tinha perdido um ótimo contrato com uma famosa agência de publicidade e os meus filhos me ligavam quase a todo o momento para dizer que os nossos investimentos na Bolsa de Valores iam de mal a pior.
— Droga! Só notícia ruim hoje — murmurei para mim mesmo, com os olhos voltados em direção à janela toda envidraçada que tinha um tom levemente esverdeado. Como pude ver, o tempo ainda não havia mudado e uma fina garoa caía em toda cidade desde que o dia nascera.
Insatisfeito, tanto com o tempo que fazia e com as duas más notícias que eu havia recebido, tentei voltar a fazer o que eu estava fazendo, mas o meu aborrecimento foi aumentando aos poucos, mais precisamente, a cada segundo que se passava.
— Mas é uma bosta mesmo! — exclamei, esmurrando a mesa com ambas as mãos por duas vezes seguidas.
Depois disso, encostei as minhas costas contra a cadeira executiva de couro legítimo e imediatamente fechei os meus olhos. E, para tentar me acalmar um pouco, massageei as minhas têmporas com ambas as mãos e respirei profundamente por várias e várias vezes seguidas. Ainda com olhos totalmente fechados, massageei-me por mais alguns segundos e, quando decidi voltar a terminar de escrever um e-mail a um cliente bem importante, o telefone começara a tocar insistentemente.
— Já chega!
Irritado, desliguei o computador, peguei o meu celular que estava em cima da mesa e saí imediatamente da minha sala.
— Selena, avise ao pessoal que não voltarei mais para a empresa hoje. Estou com uma forte dor de cabeça e se eu continuar aqui, eu sou bem capaz de destruir toda a minha sala.
— Aviso sim, senhor Kurtzariel.
Saí da empresa e decidi caminhar um pouco pela Avenida Paulista, para clarear a mente. Para a minha sorte, a garoa dera uma trégua, mas o trânsito não parava nunca.
“O que fazer?”, pensei.
Continuei a caminhar sem saber muito para onde ir ao certo e, assim que me aproximei de um ponto de ônibus, notei um anúncio de coloração chamativa e, curioso como sou, fui ver o que era.
— Exposição ao Amor. Em todas as suas formas — sussurrei.
Como já havia dito que não voltaria mais à empresa, decidi ir logo almoçar e depois eu iria dar uma conferida nessa tal exposição que celebrava o amor.
“Hoje não deve ter muita gente por lá. Então, terei mais tempo para admirar as obras sem pressa”, pensei, enquanto me dirigia a um famoso restaurante localizado em uma das ruas que cruzavam com a Avenida Paulista.
Continua…

  • Este conto faz parte do e-book A Sociedade dos Poetas Safados do escritor Mike Schmütz (@autormike07) e o mesmo se encontra integralmente disponível para venda no site da Amazon. Conheça também outras obras do autor e apoie um escritor que publica a sua obra de forma independente.