AO SOM DAS MARCHINHAS DE CARNAVAL (Parte 1) – Conto Erótico Gay

Quando coloquei os pés para fora do prédio, a primeira coisa que me chegou aos ouvidos foi o som maravilhoso de uma marchinha que estava sendo tocada ainda ao longe, mais precisamente, na Praça da República.
“Se a canoa não virar, olê, olê, olá. Eu chego lá… — Marchinha.”
E, assim que o porteiro me viu, ele imediatamente abriu o portão e eu saí praticamente flutuando, indo em direção àquele som que me chamava de um modo vibrante, convidativo e deliciosamente irrecusável.
Em poucos minutos, eu já estava atravessando a famosa Avenida São João e continuei a caminhar, indo rapidamente em direção à praça. Ao chegar nela, acenei para algumas pessoas que eu conhecia e lancei vários beijinhos para outras. Em seguida, fui diretamente encontrar os meus amigos que já estavam a minha espera em frente a uma banca de jornal.
— E aí, pessoal! — cumprimentei-os com um abraço apertado.
— Que perfume bom é esse, hein, Luiz Otávio? — disse João, dando uma profunda respirada no meu pescoço.
— Pode parar de roubar o meu cheiro! — exclamei, afastando-o com ambas as mãos.
— Está todo cheiroso assim para quem, hein? — perguntou-me Pedro, dando um sorrisinho inquiridor.
— Para algum sortudo. Quem sabe? — dei de ombros.
— Então vamos parar de ficar conversando, perdendo tempo e vamos cair na folia, galera! — disse Roberto, apontando para a multidão que já estava pra lá de animada.
Entramos no meio do povo e começamos a dançar e a nos divertir loucamente. Ora comentávamos as fantasias que as outras pessoas vestiam, dando pitacos e tudo mais. Ora a gente dava umas olhadinhas meio que disfarçadas ao nosso redor para ver se tinha alguém de olho na gente e tinha ora em que a gente dava em cima mesmo. Todavia, ficamos no zero a zero, menos o saidinho do João Ricardo, que parecia estar pegando alguém até que bonitinho.
— Credo! Será que não gostaram de me ver assim… Vestido como a Mulher-Maravilha, Luiz? — questionou-me Roberto, depois de ter bebericado um pouco da cerveja que tinha acabado de comprar.
— Não deve ser isso, Rô — coloquei uma das mãos em suas costas e falei ao seu ouvido. — Eu acho que é a forma como você está chegando nos caras… Eu também não iria dar papo para uma pessoa que já chega lançando uma corda e me puxa como se estivesse puxando um boi bravo.
— Mas ano passado deu certo…
— Ano passado é ano passado, Roberto — argumentou João, com o semblante um pouco sério demais para a ocasião. — Eu, por exemplo, já dei uns beijinhos naquele homem das cavernas ali, ó — apontou para o cara de peito peludo e barba cheia que estava dançando próximo a uma barraca de cachorro quente.
— Bonito, hein? — avaliou Pedro.
— Bonito, gostoso e beija bem. Já até peguei o número do celular dele. Mas vou confessar um negócio: não seria nada mal ele aparecer lá na minha caverna hoje à noite.
— Boa sorte, safadinho! — dissemos juntos, eu e o Pedro, a última palavra.
— Será que é essa sua fantasia de seminarista, João? Que anda chamando a atenção por aí? — questionou Roberto, meio cabisbaixo.
— Não sei — respondeu ele, depois de pegar o copo de cerveja da minha mão e ter bebido um bom gole. — Talvez, sim. O povo gosta de um bom pecado.
— Então, no próximo ano, eu irei vir como um padre — frisou Roberto, decidido.
— Péssima ideia! — eu disse, dando um sorrisinho sacana. — Lembra que o Marcos veio assim no ano retrasado?
— Ih, é verdade — disse Roberto com o olhar meio perdido.
— Ele só não ficou no zero a zero porque tirou aquela camisa que padre costuma usar… — falou Pedro.
— Ah, é! Foi verdade. Aí ele exibiu aquele peitoral maravilhoso dele, né? — comentou, já se animando novamente. — Ai, ai! Me deu até um calorzinho do bom agora.
— Ficou com saudade da pegada dele né, safadinho? — Dessa vez quem disse a última palavra ao mesmo tempo fomos eu, o Pedro e o João Ricardo.
Depois disso, demos umas boas risadas e voltamos a entrar no meio da multidão para requebrarmos os nossos esqueletos.
Continua…

Este conto faz parte do e-book Ao Som das Marchinhas de Carnaval do escritor Mike Schmütz (@autormike07) e o mesmo se encontra integralmente disponível para venda no site da Amazon. Conheça também outras obras do autor e apoie um escritor que publica a sua obra de forma independente.