Paixão por Galabra – Capítulo 3

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Paixão por Galabra – Capítulo 3 – Terceiro capítulo – Quarta Cinza

~ PONTO DE VISTA PUCU  ~

Acordei com uma tremenda dor de cabeça e com uma pressão absurda em cima do meu peito, depois de me forçar a abri os olhos e demorar mais um tempo para me acostumar com a tremenda luz do sol que invadia o quarto. Quando me acostumei com a luz, me deparei com uma cena impressionante que, se eu não estivesse com aquela dor de cabeça fodida, diria que estava sonhando. Breno estava com a cabeça em cima do meu peito, o que explicava o peso, e estava apenas com uma cueca boxer preta que marca bem a puta raba que ele tem. Seu braço esquerdo rodeava a minha cintura e parecia me apertar como uma criança de 6 anos com medo de que seu ursinho de pelúcia favorito fuja durante a noite. Uma de suas pernas estava dobrada por cima das minhas e seu joelho fazia pressão sobre a área do “protegido” (se é que você me entende).

Após ver toda aquela cena e depois de levar mais um tempo para me convencer de que não era realidade, comecei a pensar em um jeito de me levantar sem chamar a atenção ou ter que acordá-lo. Eu não fazia ideia do que quer que tenha acontecido ontem a noite, coisa que não me lembro, e não queria ter que entrar numa conversa sobre o que supostamente fizemos e como ultrapassamos os limites da nossa amizade. Enquanto fazia um esforço para lembrar o que fiz durante aquela madrugada depois que sai da festa, Breno começou a se mexer e ameaçar abrir os olhos. Imediatamente encostei no travesseiro e fechei os olhos. Ele pareceu levantar a cabeça e olhar na minha direção enquanto fazia círculos com os dedos em cima do meu peito, aquilo me dava vontade de rir, mas me segurei ao máximo pois não queria atrapalhar seu momento de reflexão nem estragar minha atuação. 

– Ai, cara… por que a vida tem que ser tão difícil? Por que eu não posso te ter pra mim? – disse tristonho.

“O que porque ele tem que falar tão depressa? Ter o que? Do que ele tá falando?” pensei.

– Aquele beijo foi tão bom, eu daria tudo pra viver aquele momento novamente.

“Quem ele beijou, mds? Será que ele tá apaixonado? Por quem? De quem ele tanto fala?” 

– Mas eu nunca posso falar isso para você, jamais deixaria meu amor falar mais alto que nossa amizade. Prefiro guardar isso para mim do que correr o risco você nunca mais olhar na minha cara. – continuou em seu momento de reflexão.

“Que segredo é esse que estragaria nossa amizade? Eu jamais deixaria qualquer coisa fazer isso com a gente.”

Comecei a me sentir mal por estar escutando aquilo, nós somos muito próximos, mas também não conversamos sobre tudo. Senti ele sair de cima de mim e levantar-se da cama, abri um dos olhos para ver ao meu redor e vi que ele tinha saído do quarto. Enrolei mais um tempo no cômodo até começar a sentir o cheiro de café fresquinho e de massa de bolo. Levantei-me de modo desajeitado e, com uma pressão absurda na cabeça por conta da dor, me arrastei até o banheiro no final do corredor e fechei a porta. Lavei o rosto e escovei os dentes com uma escova minha que deixo na casa de Breno para esses casos. Depois de fazer minha higiene e usar o banheiro, saí e fui até a cozinha dando de cara com ele de costas e abaixado colocando alguma coisa no forno. Aquilo meu deu uma perfeita visão de sua bunda redondinha e aquelas pernas extremamente definidas. Desvie o olhar rapidamente e abri a geladeira para pegar uma garrafa d’água enquanto segurava um comprimido para dor de cabeça que achei no banheiro. 

– Bom dia, Flor do dia. – disse tentando descontrair. 

– Bom dia, cara. Achei que você iria demorar mais um pouco na cama, pelo menos até o bolo sair do forno. – disse ele, sendo pego de surpresa pela minha presença. 

– Ahh eu acabei de levantar, minha cabeça tá doente um pouco e não lembro de quase nada do que aconteceu ontem. Aconteceu algo de diferente? – perguntei tentando obter alguma informação que não me lembrava. 

– Diferente não… não aconteceu nada, pô… não, na real, aconteceu. Cê acredita que eu tava bebendo e dançando e um cara veio dar em cima de mim? Eu o dispensei, é claro, mas quando o cara se apresentou cê acredita que era o Charles Emanuel? – disse ele incrédulo e seus olhos pareceram brilhar quando falou o nome do cara. 

– Não acredito que o Charles Emanuel deu em cima de você, cara, você tá podendo mesmo, hein! Tá gatão haha. – disse zoando com a cara dele. 

– Ah, para que desse jeito eu fico sem graça. Mas então, a gente conversou muito sobre muitas coisas e ele é super gente boa, até me deu o número dele. 

– Nossa, cara, que maneiro! Agora você é amigo de um fucking dublador foda pra caramba, velho, depois me passa o número dele pra fazer amizade também. – disse desconversando – Mas então, velho, eu tenho que te contar uma coisa, ontem eu saí do seu lado uma hora porque fui encontrar com minha amiga, e aí a gente ficou de novo, saca? Mas dessa vez foi diferente, eu senti algo a mais, meu coração acelerou como o Dominic Toretto em velozes e furiosos, todo meu corpo arrepiou igual quando eu vi o trailer do Capitão América segurando a mão do Thanos. E não foi a primeira vez que a gente ficou, já ficamos a muito tempo, essa mina é perfeita, muito massa e gosta de quase tudo que eu gosto. Acho que vou pedir ela em namoro, mas antes queria sua opinião: o que você acha?

~ PONTO DE VISTA DO BRENO ~

Ouvir aquilo da boca do Pucu acabou comigo. Foi como se cada palavra destruísse pouco a pouco o meu coração até ele ficar em milhões de pedacinho jogados e espalhados por todo meu corpo. Eu sabia que gostava dele, mas não sabia que era de uma maneira tão profunda ao ponto de me deixar destruído. Senti como se tudo ao meu redor perdesse a cor e, por um momento, todo o local pareceu ficar em silêncio. Eu entrei em um vácuo infinito no espaço, flutuando sozinho e abandonado. 

– Breno? Breno? Cara, você tá bem? – ele perguntou se aproximando de mim. Tive que me apoiar na bancada ao lado do fogão pra retomar o fôlego e voltar a mim. 

– Oi… Desculpa, cara, eu ainda tô meio tonto por causa de ontem, o que você perguntou mesmo? – menti pois não poderia, em hipótese alguma, admitir que estava apaixonado e que aquela simples declaração acabou totalmente com o meu dia. 

– Eu te perguntei se você acha que eu devo pedir a Juliana em namoro, cara. Você tem certeza está bem? Não quer sentar, tomar um remédio nem nada? Se você quiser eu te levo ao hospital, mano. 

– Não, eu tô bem, sério. Foi só uma tontura, eu falei que ia me acabar ontem, então hoje o corpo tá pagando preço hehe. – disse descontraindo – Mas então, se você sente que é isso que você tem que fazer, vai lá e faz, a vida é uma só pra você ficar perdendo tempo pensando no que pode ou não acontecer. Se der certo, deu; se não, vai pra próxima. – dizer aquilo acabou comigo, mas eu tenho que superar isso, somos apenas amigos e nunca vamos passar disso, então eu tenho que continuar fazendo meu papel como amigo. 

– É verdade, cara, você sempre dá os melhores conselhos. Eu vou fazer isso, mas não hoje, tô acabado, mas assim que der vou me confessar pra ela e pedi-la em namoro. – ele disse com um brilho no olhar que ao mesmo tempo que era lindo terminou de quebrar o meu coração. 

– Então, cara, eu vou tomar um banho rapidão para ver seu eu melhoro um pouco. Fica de olho no bolo para mim. – Falei sem nem esperar por uma resposta, saí disparado pro banheiro, fechei e tranquei a porta.

Assim que entrei no chuveiro, permiti que a água morna percorresse todo meu corpo. Ao mesmo tempo que a água aliviava meu corpo, ela parecia fazer com que meu coração se apertasse mais e mais. Me permiti chorar naquele momento. Conforme as lágrimas caiam, se misturavam com as gotas de água do chuveiro e percorriam meu corpo arrepiando cada lugar pelo qual passavam até chegar ao chão. Eu não sei por quanto tempo fiquei ali chorando no silêncio do chuveiro, sozinho e largado. Quando saí do box e dei de cara com o espelho, eu parecia pior do que quando entrei, com umas olheiras fundas e bochechas inchadas, mas pouco me importei pra aquilo, só queria sair dali e me jogar na cama. Saí do banheiro e fui em direção ao quarto, coloquei um moletom cinza, largo e velho e vesti um short de moletom qualquer só pra não ficar só de cueca. Voltei para a cozinha e vi Pucu comendo um pedaço de bolo e olhando alguma coisa no bendito do celular. Aproveitei sua distração, peguei uma xícara e enchi de café. Estava indo pra sala aproveitar minha tristeza em paz quando Pucu disse: 

– Peraí, cara. Como você está? Você entrou no banho e saiu pior, tá com o rosto inchando, tem certeza de que não está com febre? – ele disse se levantando e vindo em minha direção.

– Eu tô bem,cara, tô melhor, eu juro. Só quero ficar jogado no sofá fazendo nada. – disse desviando dele e indo em direção a sala.

O resto do dia foi como uma tortura. Pucu não quis ir embora por achar que eu ia desmaiar e cair morto a qualquer momento pela minha cara de morto, então passamos o dia na sala vendo filmes na Netflix. Eu não tinha nenhuma fome, mal queria estar de ali presente, mesmo assim Pucu me obrigou a comer dizendo que eu tinha que fazê-lo pra melhorar. Lá para as nove da noite ele foi embora dizendo que tinha que adiantar algumas matérias da faculdade e planejar seu pedido de namoro. Assim que ele saiu eu me joguei na cama e abracei o travesseiro que ainda tinha o cheiro dele, para variar. Lembrei de tudo que ele disse e a cada palavra que lembrava uma lágrima escorria dos meus olhos. 

” Por que comigo? Por que eu tenho que me apaixonar pelo meu melhor amigo? Por que a vida não pode ser simples e eu gostar de alguém possa e vá retribuir o sentimento? Droga!” 

Acabei por tacar o travesseiro longe e virar de costas para a porta. Me encolhi na cama e chorei por horas até cair no sono.

Escrita por: Yuri_16martins e riquecito